quarta-feira, 10 de dezembro de 2008

Ratoeira.


Ele quer, eu não quero. Eu quero, ele não quer. Eu gosto de gato, ele gosta de rato. A gente adora brincar de gato e rato. Não tem mais graça. Antes eu era o gato, agora ele me faz de rato. E eu faço outro gato de rato que faz outra gata de rata. Então eu digo não. E é tão bom. Eu fico calma. Eu posso ter calma. Eu posso ser calma. Eu consigo dormir. Eu volto então a ser o gato. Pego aquele rato que era meu e o transformo em meu gato. E viramos um casal de gatos. Ele coloca de novo a rata que nesse momento já estava ascendendo ao posto de gata em seu velho lugar de rata. E não é nada bom. Eu fico chata. Nada mais tem graça. Eu sofro. Mas sou gata.

Aí chega o gato. Ele se enrosca nos móveis da casa, vêm de mansinho, sorrateiramente, como quem não quer nada, e dá o bote. A rata que tinha virado gata revira rata e prende o rabo na ratoeira. E é tão bom. Eu fico calma. Eu posso ter calma. Eu posso ser calma.
Mas não consigo dormir. Sou gato que não gosta de pique-pega. Só quero um gato que me faça sua gata. Seremos assim, um casal de gatos felizes e reprodutores.
(Azeite de Olivia)

segunda-feira, 8 de dezembro de 2008

Estrela quando nasce se esparrama.

Cadente
Passou sem deixar rastros.
Sem um bilhete
-alegou que não deveria não.
Saiu sem deixar
Telefone para contato
Orkut, e-mail ou celular.
Caixa postal
DesLigue ou estará
Sujeito à cobrança após o sinal.
Cobrança não.
Quero não.
Tudo bem.
Cadente
É estrela.
Dessas que não
se têm.

sexta-feira, 5 de dezembro de 2008


Hoje Ofélia morreu. Viva! Hoje a indiferença nasceu.
Parabéns!
“os outros” conseguiu
despedaçada a rosa
virou barato pout-pourri de banheiro
secou
a utopia acabou
Mas ainda há uma vontade louca de gritar
“Ei, esse não é o meu lugar
talvez distante, bem longe daqui
eu encontre paz, não me sinta bipolar
por acreditar em lendas campestres
como respeito, ética e fidelidade
ah, porque há coisas que só mesmo um ignorante pode aceitar
o socialismo
o catolicismo
a monogamia

e por favor
não comecemos com esse tal de amor”
e como nota de rodapé
- pior :
os mais desprovidos de razão
nesse pardieiro de nação
ainda relutam em aceitar
(no megafone) final feliz não há –
pane no sistema
mas calma, ainda há uma solução
a lua foi loteada
pegue suas formigas
e mude para lá
o ar da lua há de te salvar

EgoTrip


Sem nenhuma pretensão de rimar, mas com a única intenção de me expressar, me exilar, me expurgar e me saravazá. Sim, atentados a norma culta ocorreram. Afinal contemporâneo é subversivo, não é mesmo? Não leve nada para casa, são apenas dejetos tecladiais.
E tenho dito.

Marina Provenzano
Do Exemplo o que tirar
O que limpar
Você me diz que na vida devemos optar
escolher
Não se pode fazer tudo, me diz você
não consigo entender
te ouvir
te respeitar
Se você mesmo não se põe nesse lugar
Pegue uma lupa, uma luva
e examine com atenção
Faça uma incursão
ao seu próprio umbigo
e há de perceber que o equívoco está em você
Pare de me cobrar
me metralhar
abaixe esse dedo
Pare com o terror
a santidade acabou
daqui para frente
na caixa vou levar
dizer é apenas falar
apontar é só um membro levantar
o meu erro é reflexo seu
a sua ansiedade é o erro meu
falar é fácil, difícil é dar o exemplo

quinta-feira, 4 de dezembro de 2008



Em mais uma noite de excessos, numa vida desmedida, me encontro com uma sede insaciável.
Numa intensidade enérgica eu necessito me atirar. Me atiro e levo um tiro. Do lado esquerdo do peito.
ó.

segunda-feira, 1 de dezembro de 2008

It's a long way

Uma gota
caiu
Ping
O relógio
marcou
Tac
A campainha
tocou
Bleng
O teclado
bateu
Tec
O pensamento
pensou. Passou
o tempo
passou.
Alguém sus
pirou
Ufa...

- Olivia Borges