segunda-feira, 6 de abril de 2009

Duvidança.



vida
du
vida
re
vida
em
vida
vi
vida.
ó.

domingo, 29 de março de 2009

Se Grotowski fizesse minha aula de Ética Cristã...


Rio, 27 de março de 2009.

Á professora de Ética Cristã,

Venho por meio desta esclarecer uma (mais uma) confusão feita por você em nossa última aula de Ética Cristã.

Ao tentar nos convencer de que ainda existe um Ethos (discussão que não vou aprofundar nesta carta), você nos indagou a respeito da fonte de Ética, de onde ela viria?

Seu posicionamento não fez sentido. O que não é uma novidade. Já que sua postura diante de questões difíceis é sempre uma tenativa de obter rapidamente, do modo mais fácil, uma resposta vaga, na esperança de que receitas milagrosas possam livrar-nos de todos os nossos problemas.

O ponto na qual quero chegar, o que mais me chamou atenção, foi sua explicação, e aqui cito suas palavras “do paradigma paixão e razão”.
Colocando-os em um campo de batalha, você concluiu que a razão consegue controlar, vencer, a paixão.

Como?

Saiba você que as emoções são independentes da nossa vontade. Não quero estar irritado com determinada situação mas estou. Quero amar uma pessoa mas não posso amá-la, me apaixono por uma pessoa contra a minha vontade, procuro a alegria e não acho, estou triste, não quero estar triste, mas estou. O que quer dizer tudo isso? Que as emoções são independentes da nossa vontade.

Assim como a paixão é independente da nossa razão.

A maneira de zerar a memória/corpo é atráves do extremo cansaço físico, as vezes chegando a dor. E se começamos a fazer coisas difíceis, começamos a encontrar a confiança primitiva em nós mesmos. Levando o corpo ao limite chegamos ao marco zero e começamos a reagir por impulsos. Não por psicologia.

Portanto a cura da paixão nada tem a ver com a razão e sim com a exaustão.

Atenciosamente,
Jerzy Grotowski

terça-feira, 17 de março de 2009

50 Versos que me levariam à Apoteose
"I have no idea what i am talking about
I am trapped in this body and can't get out"
"I want to be someone else or i'll explode
You want me?
Fucking, well come and fine me
I'll be waiting
With a gun and a pack of sandwiches"
"Let's go down the waterfall
Have ourselves a good time
It's nothing at all
Nothing at all"
"You'd kill yourself for recognition,
Kill yourself to never ever stop
You broke another mirror,
You're turning into something you are not"
"But if you wanna show, just let me know
And I'll sing in your ear again"
"We are accidents waiting
Waiting to happen"
"I am the key to the lock in your house
That keeps your toys in the basement
It's always best when the light is off
Open up your skull
I'll be there
Do not cry out or hit the alarm
You know we're friends till we die"
"Everybody leaves
If they get the chance
And this is my chance"
"When you think you've got the world all sussed out
They're the ones who'll spit at you
You will be the one screaming out"
"I'm your superhero
We are standing on the edge"
"Ice age coming, ice age coming"
"I'll take a quiet life
A handshake of carbon monoxide"
"She looks like the real thing
She tastes like the real thing
It wears her out, it wears her out"
"What the hell am i doin here?
I don't belong here
I don't belong here"
"Just cos you feel it dosen't mean it's real
Just cos you feel it dosen't mean it's real"
"It's the best thing that you ever had
The best thing you ever had has gone away"
by Radiohead

terça-feira, 10 de março de 2009

Talvez Obrigada.

Talvez
Se caminhos diferentes

tivesse seguido
Se meu pai não
tivesse morrido
Talvez
Se para lugares distintos
tivesse ido
Se outras pessoas
tivesse conhecido
Talvez
Se me apaixonasse pelas
pessoas certas
Fizesse as escolhas
erradas
Sobrevivesse de maneira
adequada
Talvez
Teria perdido
a esperança
Ou esquecido
minha infância
Talvez
Fosse a mesma mulher
Ou alguma outra qualquer
Talvez.
ó.

domingo, 1 de março de 2009

Não estou bem não tomo antidepressivo ou tipo algum de remédio própolis cura qualquer doença sigo uma dieta saudável deslizo na cerveja sempre escorrego na cerveja que nem em casca de banana não quero saber de amor foi uma lenda que alguém criou para iludir os iludidos engana trouxa não sou disciplinada não sei ter responsabilidade por mais responsável que eu seja não acredito em destino de conto de fadas nem na vida real acredito em sonho que nem o que eu tive no verão tinha um pôr-do-sol colorido todos os dias daqueles que se põe no meio do mar e da vontade de ir nadando de tão quentinho e aconchegante mas é longe demais dá uma preguiça sinto saudade do que passou e do que ainda está por vir queria ser uma borboleta e sair voando mas ai eu lembro que ela não voa longas distancias e desejo ser eu mesma novamente quem sabe na próxima vida eu nasço um girassol que algum homem apaixonado dê para alguma mulher apaixonada e eu seja cultivada com muito amor e carinho sem chaves na porta de casa sem telefone ou televisão queria fazer fotossíntese que nem uma planta daquelas que dá onda pegar um tubo em Pipeline escalar o Monte Evereste plantar uma árvore fazer um filme quem sabe escrever um livro ou uma poesia de verdade não só um vômito de tolices.



sábado, 14 de fevereiro de 2009

Livre Arbítrio Livre by Exagerada



Cheguei lá. Naquele lugar que é tão livre, que assusta.
Não há o caminho de um outro para me apoiar. I`m dancing with myself.
Isso já tinha me acontecido,uma vez. Na verdade, duas. Foram meus projetos de amores eternos anteriores.
Você foi o terceiro. O mais idealizado e menos praticado.
Certa vez me disseram que somente quando nos desconstruimos, nos reinventamos.
Quando tudo perde o sentido, não sabemos mais em que direção ir, e so on.
Me sinto sozinha pela primeira vez em muito tempo. Sozinha. Parte pelo amor que senti por você, mas sobretudo pelo amor que você não sentiu por mim.
Acabaram meus planos, meus projetos de possíveis amores. Não tenho mais nenhum.
Não tenho compromisso com nada, a não ser comigo mesmo.
Se vou construir minha carreira, mudar o mundo, preservar o meio-ambiente, só depende de mim.
A liberdade, uma das poucas bandeiras que tenho, dá mais trabalho do que parece. É tão mais fácil seguir o óbvio.
São raros os momentos da minha vida que vivencio a paz de espírito que agora me acalma.
Já nasci afobada, com medo de perder alguma coisa importante. Cresci ouvindo frases como “ah, mas eu também nunca falei nada”. Ou “só fui descobrir depois, que ele era apaixonado por mim”. E a campeã de todos os tempos “Meu Deus, como o tempo passa rápido”.
Agarrei-me ao carpe diem da aula de Arcadismo, e dei início ao meu fugere urban. Fiquei tão preocupada em cometer os erros da sociedade “corrompida”, que acabei tropeçando, já na minha saída pelo mundo, com o turbo ligado.
Nunca gostei do 8, sempre colei no 80.
Tinha tanto medo de me arrepender das coisas que não fiz, das pessoas que não amei, da carreira que não construí, tanto medo de errar.
Fiz análise, mapa-astral, passei a só comer integral. Fiz yoga, virei poliglota. Fugi para a Oceania e antes para a terra da “nonna mia”.
Mas nada disso realmente resolveu. O vulcão dentro de mim, ao que parece, só cresceu. E se fortaleceu. E quanto mais eu vi e vivi, mais entusiasmada fui ficando com a vida.
A gente só tem uma (ainda não flertei com a possibilidade de reencarnação). Você só vai saber ao fim dela o que deu certo, o que você faria diferente. A loucura é não ter a chance de passar a limpo.
Fiquei viciada em uma sensação que me ocorre quando fico perdidamente apaixonada. A loucura é a dificuldade de ocorrência dessa sensação.
Eu (que me engano diariamente, me considero auto-suficiente) sonho em fazer um espetáculo que crie nos espectadores uma sensação, ao menos próxima, da intensidade que sinto pela minha vida, e por toda beleza que ainda vejo por aí. Eu sou apaixonada pela vida e por todos seus altos e baixos. Talvez até mais pelos baixos, porque é neles que vejo mais beleza. É neles que aprendo mais e dou mais valor a minha liberdade. Escrito em português claro: só fica a parte boa. Se estou na fossa braba, com dor no coração, literalmente, é porque acabei de chegar ao topo da montanha. Eu estou muito viva, graças a Deus, e escalando.
Há quem ache que a queda não compensa a vista do topo. Eu discordo. Amar, cair e levantar.
As vezes, quando a ferida estava quase cicatrizando, eu arrancava os pontos, só para ver sangrar. Só para ter com o que sonhar. Me escravizava por livre e espontânea vontade.
E tenho ainda uma proteção, aparentemente astral. Com o Sol em Touro, mas uma grande concetração de planetas em Áries, sou romântica, daquelas ridículas.
Me deito com a crença de que “o que tiver de ser, será”. Ou citando uma outra grande poetisa, Val a doméstica, “o que é meu tá guardado”.
Só preciso manter meus olhos abertos e seguir minha intuição. Essa última crença devo a Joseph Campbell, ele me ensinou que há um caminho certo para nós, basta seguirmos nossa intuição e chegaremos a ele.
E por sermos todos moléculas da mesma geleca, desejo a tu,vós, eles que sejam felizes e façam o melhor de suas vidas.
Agradeço por terem me levado para passear no topo da montanha.
Bem, deixe-me ir, preciso andar.
É o fim da tempestade e o sol nascerá.
Rir até chorar.

terça-feira, 3 de fevereiro de 2009



PARADOXO



Ele tem dois olhos de bola de gude

Ele tem uma boca que canta

Ele tem mãos que tocam percussão

Ele tem braços que tocam violão

Ele tem um aquário, onde ele mora

Ele tem uma casa na árvore, onde ele namora

Ele tem dois peixes dourados

Ele tem cabelo feito de miojo

Ele tem vontade de grudar

Ele tem um chip para dançar

Ele tem barriga de pedra sabão

Ele tem a etiqueta do mengo

Ele tem pacto com Dioniso

Ele tem o timbre do Woody Allen

Ele tem uma cesta de pick-nic

Ele tem um submarino amarelo

Ele tem mania de sonhar

Ele tem o cérebro lunar

Ele tem o projeto original do Taj-Mahal

Ele tem um botão que só diz sim

Ele tem um coração que se apaixona por mim

Tudo isso ele tem


Mas nada disso me faz bem