terça-feira, 13 de abril de 2010

Shy moon.


Se fosse do gênero romance

o céu estaria azul azul

o sol amarelo amarelo

e o mar bem quentinho.

Eu escolho outro gênero.

O mar talvez esteja quentinho

mas as ondas quebram fortes na beira

a maré está puxando.

Quando eu fui dar um mergulho 

quase fui do leblon à ipanema

você me puxou para você

e foi contra corrente.

A gente deitou na areia ofegante

dividiu a mesma canga.

Ufa...não foi que eu quase te perdi?

Ele disse no mesmo momento 

agarrou na minha mão

o céu então estava azul celeste

mas sem estrela

meu olhar estava vazio de estrela

não de azul.

No meu mundo isso é possível.

Fiquei no azul um tempo.

S  i  l  ê  n  c  i  o.

Mão com mão

sem olho no olho.

Esperei

em vão

o momento

do romance

e fiquei com

o outro gênero.


ó.

segunda-feira, 12 de abril de 2010

nas entrelinhas das gangorras

menina vai ao parque
sozinha não dá para brincar
quer um contrapeso
para a gangorra equilibrar
ela está cansada de ficar ali
bunda no chão
suja de areia nas beiradas

pediu,pediu,pediu
desejou,desejou,desejou
e a fada do dentre enviou
um menino para na gangorra sentar

"Vamos brincar?"
"siiiiim", ela quis gritar
estava tão feliz, se empolgou

começa difícil
a gangorra é uma arte
demora a equilibrar
na verdade alguem já viu gangorra parada no ar, exatamente no meio?

depois de um tempo a menina percebeu
que o peso que prevalecia era o seu
o menino ficava mais no ar
e quando ela se deu conta seu bumbum já estava de novo na areia.

as vezes, quando ela soltava um pouco o pé,
ela subia ao ar,
mas não era bem assim que ela queria bincar.

o menino, estava ali, feliz a voar,

a menina estava ali, pesada de tanto amar.
m.( de marina )

sexta-feira, 9 de abril de 2010

Chorare



É uma vontade de dizer para você que não tem nada de errado, é comigo mesmo, o problema tá comigo. Aí eu vou até a cozinha pegar uma taça de vinho ou preparar um chá de romã. Me afogo em mim mesma sem culpa. Tem uma fresta de sol que bate na cabeceira da minha cama. Me atinge os olhos. Eu viro. E reviro. Procuro tapar o buraco mas meu corpo está paralisado, tá pesado, tá carregado de  vazio. Então eu padeço até alguém me puxar pelo pé. As vezes demora dias. E eu padeço, esqueço que existe fé, esqueço da fé de mim, esqueço da fé em mim. E mesmo assim, ainda tem gente que insiste em cuidar de mim. Ainda bem, porque é tão difícil cuidar de mim sozinha. 


ó.

quarta-feira, 24 de março de 2010

"Objeto a" ou A coisa.


Tem coisa que não adianta.

Não adianta só ver para crer

é que tem o soco

pra desacreditar

que acabou o conto

Tem coisa que não tem nome.

Se chama coisa. 

Foi essa coisa 

que não tem nome 

me fez dançar 

num salão 

e não olhar para o lado.


ó.

terça-feira, 9 de março de 2010

Parasita.



Ontem vi dois pombinhos

caminhando pela praia

Freio 

sem querer 

espantei

um bateu asa 

o outro bateu perna

eu pedalei na bicicleta

quando era pequena

tacava areia

me falaram que pombos 

têm piolho

e eu tenho trauma 

de piolhos não de pombos

da próxima vez eu prometo 

deixo eles caminharem 

no acostamento. 


ó.

quarta-feira, 3 de março de 2010

de um só momento




Veloz voa o vento

voltando e vindo sem pressa

o tempo vai com o vento


Sem pressa!

Sem essa de tempo!


O vento que faz o movimento

do mar, das folhas, da gente

que se mete pra ser somente...


O mar acalma o pensamento

e molha todo movimento

voa conforme as ondas do vento

 

Sem pressa!

Sem essa de tempo!


como vento ser só movimento

como mar ser somente ondas

como folha ser circular no tempo

 

Sou só pensamento de ser o que quero neste momento!

Ser um movimento!


não seria eu se não fosse Mar i Ana 

sexta-feira, 12 de fevereiro de 2010

Miss

Eu preencho espaço

Desde que virei o umbigo do mundo

Quinta a noite

Sopa de espinafre

Para preencher o espaço 

que o mundo 

ocupa no meu umbigo. 

ó.