sábado, 14 de fevereiro de 2009

Livre Arbítrio Livre by Exagerada



Cheguei lá. Naquele lugar que é tão livre, que assusta.
Não há o caminho de um outro para me apoiar. I`m dancing with myself.
Isso já tinha me acontecido,uma vez. Na verdade, duas. Foram meus projetos de amores eternos anteriores.
Você foi o terceiro. O mais idealizado e menos praticado.
Certa vez me disseram que somente quando nos desconstruimos, nos reinventamos.
Quando tudo perde o sentido, não sabemos mais em que direção ir, e so on.
Me sinto sozinha pela primeira vez em muito tempo. Sozinha. Parte pelo amor que senti por você, mas sobretudo pelo amor que você não sentiu por mim.
Acabaram meus planos, meus projetos de possíveis amores. Não tenho mais nenhum.
Não tenho compromisso com nada, a não ser comigo mesmo.
Se vou construir minha carreira, mudar o mundo, preservar o meio-ambiente, só depende de mim.
A liberdade, uma das poucas bandeiras que tenho, dá mais trabalho do que parece. É tão mais fácil seguir o óbvio.
São raros os momentos da minha vida que vivencio a paz de espírito que agora me acalma.
Já nasci afobada, com medo de perder alguma coisa importante. Cresci ouvindo frases como “ah, mas eu também nunca falei nada”. Ou “só fui descobrir depois, que ele era apaixonado por mim”. E a campeã de todos os tempos “Meu Deus, como o tempo passa rápido”.
Agarrei-me ao carpe diem da aula de Arcadismo, e dei início ao meu fugere urban. Fiquei tão preocupada em cometer os erros da sociedade “corrompida”, que acabei tropeçando, já na minha saída pelo mundo, com o turbo ligado.
Nunca gostei do 8, sempre colei no 80.
Tinha tanto medo de me arrepender das coisas que não fiz, das pessoas que não amei, da carreira que não construí, tanto medo de errar.
Fiz análise, mapa-astral, passei a só comer integral. Fiz yoga, virei poliglota. Fugi para a Oceania e antes para a terra da “nonna mia”.
Mas nada disso realmente resolveu. O vulcão dentro de mim, ao que parece, só cresceu. E se fortaleceu. E quanto mais eu vi e vivi, mais entusiasmada fui ficando com a vida.
A gente só tem uma (ainda não flertei com a possibilidade de reencarnação). Você só vai saber ao fim dela o que deu certo, o que você faria diferente. A loucura é não ter a chance de passar a limpo.
Fiquei viciada em uma sensação que me ocorre quando fico perdidamente apaixonada. A loucura é a dificuldade de ocorrência dessa sensação.
Eu (que me engano diariamente, me considero auto-suficiente) sonho em fazer um espetáculo que crie nos espectadores uma sensação, ao menos próxima, da intensidade que sinto pela minha vida, e por toda beleza que ainda vejo por aí. Eu sou apaixonada pela vida e por todos seus altos e baixos. Talvez até mais pelos baixos, porque é neles que vejo mais beleza. É neles que aprendo mais e dou mais valor a minha liberdade. Escrito em português claro: só fica a parte boa. Se estou na fossa braba, com dor no coração, literalmente, é porque acabei de chegar ao topo da montanha. Eu estou muito viva, graças a Deus, e escalando.
Há quem ache que a queda não compensa a vista do topo. Eu discordo. Amar, cair e levantar.
As vezes, quando a ferida estava quase cicatrizando, eu arrancava os pontos, só para ver sangrar. Só para ter com o que sonhar. Me escravizava por livre e espontânea vontade.
E tenho ainda uma proteção, aparentemente astral. Com o Sol em Touro, mas uma grande concetração de planetas em Áries, sou romântica, daquelas ridículas.
Me deito com a crença de que “o que tiver de ser, será”. Ou citando uma outra grande poetisa, Val a doméstica, “o que é meu tá guardado”.
Só preciso manter meus olhos abertos e seguir minha intuição. Essa última crença devo a Joseph Campbell, ele me ensinou que há um caminho certo para nós, basta seguirmos nossa intuição e chegaremos a ele.
E por sermos todos moléculas da mesma geleca, desejo a tu,vós, eles que sejam felizes e façam o melhor de suas vidas.
Agradeço por terem me levado para passear no topo da montanha.
Bem, deixe-me ir, preciso andar.
É o fim da tempestade e o sol nascerá.
Rir até chorar.

terça-feira, 3 de fevereiro de 2009



PARADOXO



Ele tem dois olhos de bola de gude

Ele tem uma boca que canta

Ele tem mãos que tocam percussão

Ele tem braços que tocam violão

Ele tem um aquário, onde ele mora

Ele tem uma casa na árvore, onde ele namora

Ele tem dois peixes dourados

Ele tem cabelo feito de miojo

Ele tem vontade de grudar

Ele tem um chip para dançar

Ele tem barriga de pedra sabão

Ele tem a etiqueta do mengo

Ele tem pacto com Dioniso

Ele tem o timbre do Woody Allen

Ele tem uma cesta de pick-nic

Ele tem um submarino amarelo

Ele tem mania de sonhar

Ele tem o cérebro lunar

Ele tem o projeto original do Taj-Mahal

Ele tem um botão que só diz sim

Ele tem um coração que se apaixona por mim

Tudo isso ele tem


Mas nada disso me faz bem


quarta-feira, 21 de janeiro de 2009

es regnet, es regnet


Havia acabado de desenvolver por inteira sua décima nona patinha. Tudo ia bem com a monstrinha, até que ela chegou em um lugar chamado “ponto de não retorno”. Nossa, como aquilo a assustou. Eram tantas coisas novas, tantos riscos. Ela chegou a cair e se quebrou, “Chega” exclamou.
Depois do incidente se trancou em um laboratório. Cercou-se de ratinhos. Para cada um criou um nome e uma história. Lá era tão seguro, tão previsível, tão desinfetado que quase não havia vida.
A monstrinha não percebia o que perdia. Estava viciada em analisar cada passo, cada impulso de seus objetos de estudo. Quando havia necessidade saía do casulo, mas era sempre uma situação breve e frustrante. Desaprendera a se relacionar com seus semelhantes, transformou todos em material de laboratório.
Contudo a natureza da monstrinha não era aquela. Nascera em uma cidade chamada Mirólândia, onde, ao acordar, todos bebiam uma substância chamada oníricogina.
Não sabia se era a falta do remédio, ou o fim de qualquer geração espontânea em seu laboratório, o fato é que adoeceu. As máquinas entraram em curto circuito, os ratos fugiram e cortaram a luz. Pediu socorro. não veio. pediu de novo. não veio. pediu mais uma vez. acabou sua voz e não veio.
Quando a escuridão começou a afetar sua saúde, chegou um vaga-lume – eles eram os salva-vidas em Mirólândia.
“ACORDA” ele gritou. “Há quanto tempo você está aqui, no escuro?” perguntou o inseto.
“Não me lembro mais” respondeu a monstrinha.
“Ouça mocinha
o que deve fazer,
pegue suas galochas e vá para a chuva” sugeriu o salva-vidas.
“Só isso?” indagou a monstrinha.
“Isso, só.” respondeu o vaga-lume.

quarta-feira, 14 de janeiro de 2009


restinpeaceandmaygodprotectmefrommyself

segunda-feira, 12 de janeiro de 2009

Cajuti lifestyle

É impressionante como o determinismo geográfico influi na vida das pessoas.
Se você nasceu na Palestina, você deve, desde criança, ter um posicionamento de “vendetta” para com os judeus.
Caso tenha nascido no latifúndio do Tio Sam, vai ser considerado pela nova geração cult / yuppi alternativo, que se julga bem esclarecida, um babaca (até que se prove o contrário).
Há também o poder da localização dentro de um país. Vejamos o Brasil.
Os baianos são considerados lerdos, os paraibanos são paraíbas, as gaúchas são deusas do sexo, as mineiras “se perdem” e os cariocas são os que passam o rodo.
Fazendo uma análise ainda mais detalha, vemos nessa tripinha de cidade, que é o Rio de Janeiro, uma nítida distinção de seus bandos. Deixando de lado os menos abastados, vemos uma grande diferença entra os da Z.S e os da não Z.S = da Z.N (zona sul, zona norte).
Talvez a diferença seja tão grande quanto a montanha que separa essas duas regiões. Vou até começar a escrever na primeira pessoa, inclusive porque isso aqui é um depoimento.
Fui concebida e nascida e criada no mesmo endereço na zona sul. Tirando os anos de pré-escola e os dois anos no supra-sumo dos guetos da z.s (escola britânica), fui formada e educada em um colégio no centro da cidade, cuja maior parte dos alunos são residentes da Tijuca / Grajaú e adjacências. Foram onze anos de Deutsche Schule. Embora geograficamente estivesse contida na zona sul, sentimentalmente determinei que a Tijuca era “O” lugar. Na época eu nem me dava conta. Entre a 4ª e 6ª serie meu sonho era morar no Tijuca Palace – um típico condômino de prédios altos, com cerca de 12 apartamentos por andar - achava que ter “galera do play” era um máximo.
Mas o atrativo da Tijuca não era nem esse. Eram os meus amigos.
O mais louco é que nunca me dei conta de como eles eram diferentes. Até eu virar uma menina da zona sul, aos olhos deles. As vezes é preciso um distanciamento, um intervalo de tempo, novas e frustrantes (ou não) experiências para a gente dá valor ao que veio de graça para a nossa vida.
Não me arrisco a tentar descrever o que é ser tijucano, não tenho o direito e provavelmente não faria jus ao título. Mas posso falar da sensação que tenho ao estar com as pessoas do lado de lá.
É um transbordamento de humildade que não cabe nas pessoas, um jeito despretensioso, genuíno de ser. Churrasco de salsichão, na laje, com banho de mangueira é diversão para o sábado inteiro. Sem contar que são meus amigos que mais aproveitam o que a cidade oferece de atrativo natural, como as “cachús”, trilhas, e afins. Eles já entenderam o real “segredo”. Não fazem muito barulho por pouca coisa. E o mais ... (não sei que palavra usar), eles tendem a ficar intimidados pelas pessoas da zona sul (que por sua vez tendem a achar que são mais privilegiadas por residirem do lado de cá do túnel). Sendo que o poder aquisitivo dos dois grupos é o mesmo.
Pode parecer uma visão ingênua, utópica, romantizada, mas fazer o quê? Eu vim de lá. Eu vim de lá pequenininha.
Não há nesse texto uma moral, só uma constatação, muito da pessoal. Talvez um desejo oculto, um manifesto contra a influência da geografia. Uma vontade que todo mundo se entendesse, se compreendesse, se visse e se ouvisse.
Não quero aqui idealizar, já vi que isso não rola, já sei onde vai dar. Torço para que o eleito prefeito tire do abandono essa região da cidade.
A idéia era só agradecer. Agradecer ao quiz do stefanios, as tardes no Tijuca Palace, as idas ao shopping tijuca, a praça Vanhargem, a pracinha dos cavalinhos, ao pastel do adão, a lua cheia no Grajaú, a ferinha da praça Saens Peña e sobretudo pela existência dos tijucanos. Não sei se é a água, o ar ou o tal do determinismo geográfico. Só sei que faz bem.

Fica aqui a dica de 2009, seja você também um adepto do Cajuti lifestyle.

quinta-feira, 25 de dezembro de 2008

ao sair, acenda a luz



o que deixou


Começa o roteiro
escolho o gênero romance
Ela o avista em um dos salões
Se encanta com o brasão marcado na pele
pertencia a uma família Céltica
Ela sempre sonhara pertencer
a uma família mitológica
Encontrou o desencontro
e amarrou seu burro
mais tarde precisaria dele para dar n’água
Viu o que só ela via
ouviu o que ele não dizia
e criou seu próprio veneno
Fã do livre arbítrio
Se intoxicou
Não agüentando o revertério das drogas
se mutilou, se declarou
Errou no personagem
Parou
Se concentrou
e o que restava de si
catou
recolou
Foi se consultar com Cartola
Que lhe disse para ver, procurar entender a situação em que estava
Não viva o roteiro
Lá você decide
Aqui você obide
Lá ele te quis
Aqui infeliz.
Para a personagem, não para você
Até parece que você quer morrer
Ouça-me bem amor, a vida não se pode roteirizar
Pense no que aprendeu e saia desse filme
que é só teu
O que Manoel de Barros há de te ensinar
É que o bom mesmo da vida
é inventar e reinventar


It's the end of the world as we know it

and i feel fine