segunda-feira, 18 de outubro de 2010
flor das águas
quinta-feira, 2 de setembro de 2010
A little bit of nothing.

Sei que um pouquinho não quer dizer muita coisa.
Me apreenderam a idéia de que um tico de coisa
é um igual à um nada de coisa.
Mas esse duplo não é um tico, é um pouquinho.
Eu não sei nada do tico.
Mas ele mesmo assim sabe mais do pouquinho de mim que nem eu sei.
Eu me perdi aqui.
É que o tico faz eu me perder de mim.
É que um tico deixa a gente perdida que nem o nada que me fizeram apreender.
O tico que sabe de mim mais do que o pouquinho que eu sei, tem olho azul e um sorriso de céu, sorriso de dia de sol e de barulho de chuva.
O tico que me deixa saber menos do que o pouquinho que eu sei tem olho castanho e um sorriso de areia, sorriso de areia que a onda leva quando bate.
O tico que me apreendeu tem cheiro de luz.
Um cheiro que acende quando o tico toma conta de mim.
Eu me perdi do tico e continuo perdida de mim. Queria que o tico voltasse comigo que ele levou de presente.
ó.
sexta-feira, 9 de julho de 2010
visitante
segunda-feira, 5 de julho de 2010
o ser humano mais uma vez altruísta
Estou suspensa no ar!
em paixão.
os pés fora do chão, relaxados.
o corpo solto e os braços abertos, estirados.
ar!
Meu rosto se enclina para baixo...
tento ver a situação e só o que eu vejo são os meus pés fora do chão.
Um pé machucado, difícil seguir meu caminho
o outro está lindo, me guia dentro da própria escuridão
Não sei não... ninguém está para me amar e eu estou suspensa no ar!
quarta-feira, 9 de junho de 2010
Manhê, me conta uma história e faz carinho no meu cabelo?
É uma daquelas fases
em um daqueles lugares
poucas vezes na vida
se encontra
não se sabe
onde é e não é
o lugar não te pertence
é só um gostinho
do que você poderia
ser
mas
não é
do que você poderia querer
ser
mas
não quer.
É aquela fase na vida
você encontra o lugar
onde você poderia pertencer
mas
não pertence
onde você vive bem
mas
não vive para sempre.
É aquele momento do percurso
que tem curvas
quando você queria retas
nada redondo!
Retas
eu disse retas
Onde estão as retas mãe?
Onde estão as retas manhê?!
Talvez as curvas sejam a falta
se eu encontrar algum dia
alguma coisa
que preencha
algum espaço
vai ser para valer?
Eu, eu vou conseguir fazer valer?
ou vai ser mais uma idéia
daquelas que poucas pessoas têm
na vida mas permanecem idéias
prevalece a falta
ahh a falta.
Doce desprazer
que conduz tão sofrido viver
conta outra história
me aponta o sofrimento
dessa tão sofrida história
e as questões?
Cessaram as questões?
Onde estão as questões?
Quem?
As questões?
Onde estão elas?
Cadê vc?
Tô te esperando
não me diz
por favor
não me diz
você nunca vai aparecer?
Nãomediznãoquerosaberprefiroacreditar
que você vai sobreviver
sejavocêquemforsejaoquedeusquiser.
ó
...
sexta-feira, 4 de junho de 2010
às 7h
escreve pra procurar
escreve pra entender
escreve pra achar
põe música alta, não ouve mais nada
diminui um pouco pra pelo menos se ouvir
diminui um pouco mais e a outra música entra...
acordou sem querer e sem saber pra quê
eram 6h, mas os sonhos mais lindos já tinham passado
era hora de acordar.
a cabeça está limpa... confusa.
o corpo descansado e banhado de café
pílula pra despertar!
sai andando na rua,
descendo a ladeira
encontra o Sol que está a sua altura.
o Sol, ainda perto do mar, subindo entre as montanhas.
respira fundo... espreme os olhos...
o carro de praça já vai chegar
o motorista um pouco desentendido
entra no carro, dois mundos
distintos, passageiro e motorista.
mas tudo isso é só desabafo, acho que nem serve pra poesia... talvez só fragmentos de uma narrativa descontínua.
às 7h, tudo é bonito, menos o trânsito, feixes de luz do sol iluminam os olhos, os cabelos, as pedras, e o espelho da água da chuva de ontem que escorreu na montanha! ah, poesia....
Mariana B.
segunda-feira, 31 de maio de 2010
Pão francês todo dia de manhã.
na normalidade:
pão com pão,
queijo com queijo,
queijo com pão,
pão no queijo.
Cansada da indigestão do glúten
E da intolerância aos laticínios,
Eu quis mamão com manga
E morango com laranja.
Foi então que eu vi
Numa despedida nada dada
Que nada é: pão com queijo.
Injetei glúten na veia
E resolvi dormir o sono
da cinderela.
Não acordei nem com
O animal domesticado
Lambendo minha orelha.
Tive um sonho daquele tipo anormal
E lembrei que a vida
Não é um morango,
Nem do tipo silvestre.
